Servidores públicos defendem realmente os animais?
Deputados, delegados, vereadores usam os animais ? Se autopromovem ou defendem realmente os animais e a lei?
A causa animal não pode ser palco de oportunismo.
Nos últimos anos, temos visto cada vez mais políticos, delegados e figuras públicas levantando a bandeira da proteção animal. Em teoria, isso é positivo. Mas, na prática, o que se observa muitas vezes é incoerência — e, pior, uso da causa para autopromoção.
Há casos de autoridades que se posicionam contra a criação de aves em gaiolas, mesmo sem base legal clara ou discussão técnica consistente. Ao mesmo tempo, essas mesmas pessoas participam ou apoiam ações que retiram cães das ruas para confiná-los em canis superlotados, muitas vezes sem estrutura adequada. Isso é proteção… ou apenas mudança de problema de lugar?
Outro ponto que precisa ser dito: grandes apreensões, como as realizadas pelo IBAMA, frequentemente resultam em superlotação dos CETAS (Centros de Triagem de Animais Silvestres). O sistema não comporta o volume de animais apreendidos. Resultado? Animais estressados, mantidos em cativeiro prolongado e, em muitos casos, sem possibilidade de reabilitação — o que pode levar até à eutanásia.
Ou seja: em nome de uma “proteção”, cria-se outro problema — silencioso, pouco divulgado e raramente questionado.
Deputados e representantes públicos frequentemente aparecem em fotos com animais resgatados, discursos emocionados e promessas genéricas. Mas onde estão as políticas públicas estruturais? Onde está o investimento em educação, controle populacional, apoio a criadores responsáveis e fiscalização equilibrada?
A causa animal é séria. Envolve bem-estar, responsabilidade, ciência e respeito — não apenas narrativa.
Defender animais não pode ser seletivo, emocional ou conveniente. Não pode ser contra um tipo de criação enquanto ignora outros problemas muito mais graves. E, principalmente, não pode ser ferramenta de marketing pessoal.
Precisamos de coerência. Precisamos de conhecimento. Precisamos de responsabilidade.
Os animais merecem mais do que discursos. Merecem verdade.
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